quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

PERSONAGEM DE FERNANDO IKOMA GANHA ÁLBUM DE LUXO! MAIS DO QUE MERECIDO!

Olhem só que grata surpresa, um álbum de luxo (23 cm x 16 cm, 160 páginas, capa couchê cartonada e plastificada) com o personagem Fikom, criado por Fernando Ikoma para a Editora Edrel de Minami Keizi no crepúsculo da década de 60 do século passado – hoje um reconhecido artista plástico sessentão, o próprio autor se confessa surpreso de ver o personagem criado por ele há mais de 40 anos ter conquistado um público cativo. E a edição da Editora Kalaco faz jus a todo talento do grande artista, republicando cinco aventuras do herói onírico. Fikom (para quem ainda não percebeu, um anagrama do nome do autor) é o alter-ego do feioso e derrotado Mukifa, um jovem ultra-complexado que, ao comer uma maça, acidentalmente encontra um medalhão com poderes místicos que lhe permite, durante o sono, enquanto se encontra nas regiões oníricas (ou fora delas, em nossa realidade, como se constata numa das aventuras publicadas nesta edição), transformar-se no galante e bonitão Fikom, que rapidamente se enamora da linda Sandra – que por sua vez é alter-ego de Kátia, mocinha feiosa detestada por Mukifa, mas que, assim como ele, também encontrou um medalhão semelhante comendo maça, que a possibilitou sentir-se como Sandra no reino dos sonhos. E neste mundo extra-físico eles se apaixonam e enfrentam de tudo: seres espaciais, magos pérfidos, lindas guerreiras, reis medievais, duendes. Para enfrentar todos esses perigos, Fikom pode contar com os poderes de seu cinto, capaz de emitir poderosos raios gravitacionais ou desintegradores, bem como a capacidade de torná-lo invisível. Além das HQs memoráveis que revelaram o incrível talento e criatividade de Fernando Ikoma, e seus fascinantes desenhos que resultaram maravilhosos (a despeito da correria dos prazos naquela ocasião, que oprimiam os autores de Quadrinhos), a edição conta com ótima entrevista do autor, conduzida pelo irreverente Márcio Baraldi. A única coisa que destoa é a apresentação, pelo editor Franco de Rosa – melhor dizendo, não toda a apresentação, feita com texto muito bem escrito, conciso e completo a respeito do personagem e seu processo de criação; o lastimável é lido somente numa única frase do último parágrafo, que diz textualmente: Comparar Fikom com Sandman [de Neil Gaiman] é bobagem xenófoba. Pus o nome do autor entre colchetes, pois antes dele houve dois Sandmans, o primeiro criado em 1939 por Gardner Fox e Bert Christiman, e outro que apareceu um ou dois anos depois, por Joe Simon e Jack Kirby – como se vê, o sr. Gaiman usurpou o nome desses outros personagens; o conceito, usurpou do personagem de Fernando Ikoma. E confesso que me estarreceu essa afirmação lida na apresentação do álbum de Fikom. Então quer dizer que alguém que ache o Fikom melhor do que aquela chatice daquele Sandman do sr. Gaiman, é um xenófobo bobão? Quem foi que concedeu tamanha ‘infalibilidade’ a esse Sandman? E reparem que isso não foi escrito por um bocó qualquer, um desses idiotas anônimos que atuam na esgotosfera da internet, mas por alguém que a vida inteira editou, incentivou e apoiou artistas e personagens dos Quadrinhos brasileiros! Bem, não me importo de ser chamado de bobão xenófobo – bobão admito que sou mesmo, mas xenófobo é discutível, afinal, acabo de lançar um fanzine com 375 páginas a respeito do Gibi Semanal da RGE, e a imensa maioria das páginas fala sobre personagens estrangeiros dos comics – por isso digo aqui pra qualquer um que possa ler: acho que o Fikom de Fernando Ikoma é INFINITAMENTE melhor do que o Sandman aviadado de Neil Gaiman. Este último, pra ser bem sincero, acho UMA GRANDE MERDA, e jamais conseguirei compreender porquê faz tanto sucesso. Por isso, não tenham dúvidas: seja eu um xenófobo ou não, prefiro mil vezes o Fikom a essa GRANDE MERDA que é o Sandman do Neil Gaiman. www.editorakalaco.com.br (JS)

2 comentários:

Rod disse...

Publicam o quadrinho brasileiro e os nossos super-heróis como se estivessem fazendo um favor, não sabem explorar o potencial comercial dos nossos personagens e ainda por cima desacreditam teses sem nem ao menos comentar os dados e deixar a análise se existe ou não o plágio na citada obra para o leitor. A xenofobia fica por conta da infeliz frase, como sempre, contra o Brasil. Lastimável. Será que foi perguntado ao meu amigo Fernando Ikoma a opinião dele sobre a referida questão? Acho que não...

Marcio disse...

Valeu, Salles.Ficamos feliz que gostou.Esse livro repara uma injustiça com o Ikoma, que ate agora nao tinha republicaçao de luxo nenhuma.
Abracos